Health techs prometem revolucionar mercado de saúde no Brasil

“No país, abertura crescente das instituições de saúde à tecnologia interessa jovens empresas”

Ao que o momento indica, o mercado das chamadas health techs - startups da área da saúde - tem tudo para crescer em terras nacionais. A afirmação parte de uma tendência observada desde 2017, ano em que, segundo dados do IBGE, o consumo final de bens e serviços de saúde no Brasil chegou a representar 9,1% do PIB (o equivalente a R$546 bilhões). Para 2019, o esperado é que os avanços mais significativos no campo da Medicina venham da inteligência artificial, Internet das Coisas e soluções em nuvem, com crescimentos de 41%, 26% e 24%, respectivamente.

O boom dos smartphones, a revolução do big data e uma sociedade cada vez mais interligada são alguns dos fenômenos que parecem dar o tom do que os especialistas têm chamado de Saúde 4.0. Marcada pela junção entre o universo da saúde e o da tecnologia, a expressão diz respeito à transformação digital sofrida por hospitais, clínicas e laboratórios, que apostam no moderno para otimizar o atendimento ao cliente. É dentro desse cenário que uma leva de startups tem atuado: por meio de dispositivos, medicamentos e sistemas, alinhando a redução de gastos das instituições ao conforto de quem está prestes a realizar um exame ou se consultar.

Tendência mundial

Há quem acredite que o surgimento de novos projetos especializadas em saúde é algo específico do nosso país, mas basta se voltar para o Vale do Silício para perceber como a gestão do setor tem sido pauta de inúmeras jovens empresas. Uma das grandes apostas é a Verily, fundada há pouco mais de três anos com foco em plataformas para coleta de dados. O objetivo? Usar as informações geradas para prevenir e tratar doenças. Mesmo com pouco tempo de vida, a companhia já recebeu um investimento bilionário no início deste ano e promete não parar: no momento, tem captado parceiros para desenvolver calçados que monitorem o peso e movimento dos usuários.

Já a Sensely viu potencial na dificuldade que médicos e seus pacientes têm para se comunicar durante o dia. Pensando nisso, seus fundadores optaram por investir em soluções de assistência virtual baseadas no reconhecimento de voz e integração de dados. O produto mais famoso, nesse sentido, é a assistente pessoal Molly, avatar que simula consultas médicas no seu tablet ou smartphone. Por meio de algoritmos e integração de dados, o chatbot é capaz de direcionar o paciente aos locais mais próximos para consulta, identificar sintomas de doenças e até mesmo sugerir dicas para o tratamento diário - tudo em um bate-papo quase humano.

High tech verde e amarelo

No país, essa tendência global se materializa na abertura crescente das instituições de saúde às soluções tecnológicas, como comprovado pela pesquisa CM Search 2018. O estudo, encabeçado pela CM Tecnologia - reconhecida pelos softwares para a Jornada do Paciente -, reuniu respostas de 198 profissionais do campo sobre a administração, prestação de serviços e modernização de entidades médicas ao redor do Brasil. Entre as respostas, uma chama atenção: 68,6% dos entrevistados acreditam que só é possível agregar valor em saúde por meio do tecnológico.

Embora os dados pareçam imprecisos, sabe-se que, até o momento, o Brasil conta com 263 health techs, que inclusive inspiraram um estudo da aceleradora de negócios Liga Ventures. Disposta a investigar o fenômeno corporativo, a organização analisou mais de 10 mil startups nacionais e descobriu que as categorias de Sistemas de Gestão e Hard Science possuem o maior número de iniciativas dentro da área. Projetos focados no bem-estar físico/mental e agendamento de consultas complementam o topo da pirâmide. Informações geográficas importantes também foram apontadas pela pesquisa, como o fato de que São Paulo e Belo Horizonte não só concentram a maior quantidade de startups focadas em saúde, mas detêm suas sedes.

Prestes a se mudar de casa graças ao crescimento, a CM é uma das jovens empresas surgidas nos últimos anos com a proposta de facilitar o dia a dia dos pacientes. Entre soluções como agendamento online e elegibilidade automática, hoje, seus softwares estão presentes em cerca de 680 unidades de saúde pelo Brasil, mas o CEO, Fernando Soares, almeja ainda mais. "É interessante perceber como os olhos do setor de saúde têm se voltado para as facilidades da tecnologia, o que nos faz ter altas expectativas para 2019. Mais do que beneficiar quem fecha um contrato, parcerias desse tipo fazem toda a diferença na qualidade do atendimento aos cidadãos", compartilha.



Website: https://cmtecnologia.com.br