Dados pessoais na internet? Entenda como a tecnologia usa informações para melhorar a comunicação das marcas

“Entre todas as técnicas disponíveis, varia o quanto cada empresa conhece sobre seu público e como que ela usa a tecnologia.”

A proposta da redação para o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) desse domingo (04) foi direta e mostrou um reflexo das preocupações da sociedade brasileira. O tema, “a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”, explorava formas de gerar ou estimular certas ações no público online com o uso de inteligência de dados. Mas o uso da tecnologia para a comunicação online é diverso e tem várias outras aplicações.

Para Essio Floridi, CEO da Tradelab Latam, os dados se relacionam mais diretamente com os internautas pela produção ou veiculação de conteúdo:  “o usuário da internet ‘percebe’ a presença de uma inteligência artificial quando ele acessa uma seção de ‘recomendados para você’, ou quando ele é impactado por um banner de um site pelo qual tem interesse; por outro lado fatores como os primeiros artigos que encontramos nos buscadores ou e-mails direcionados que recebemos também partem da inteligência de dados para fazê-lo – entre todas as técnicas disponíveis, varia o quanto cada empresa conhece sobre seu público e como que ela usa a tecnologia”.

Para o executivo, o uso de algoritmos ajuda em diversos mercados. No setor de entretenimento, por exemplo, a Netflix ficou conhecida por usar insights vindos da análise de sua vasta base de dados para identificar as preferências de seus consumidores como orientadores para novos conteúdos, como foi o caso das séries “Orange is the new black” e “House of Cards”. Cada tipo de uso de inteligência, ele diz, exige uma técnica e uma métrica diferente. “Para a mídia programática, por exemplo, os dados de navegação são selecionados de acordo com o negócio da empresa e o objetivo da campanha, servindo para prever que tipo de usuário vai se interessar de verdade se vir a comunicação da marca em um portal ou em um aplicativo; a gente consegue ‘medir’ esse sucesso pelos cliques, pela visibilidade das peças publicitárias, pelas pessoas que visitaram o site. Para aumentar o número de acessos ao site, a empresa pode pensar no Search Engine Optimization (SEO), cuja boa aplicação faz com que ele apareça nas primeiras posições de um site de pesquisa; ela também pode querer fazer seu site mais atrativo, então existem as táticas de Conversion Rate Optimization (CRO), que trabalham a usabilidade do site e a mensuração se dará no aumento de compras pelo site”.

Com tantas possibilidades, o especialista explica que também existe o mau uso da informação, “mas que o mercado busca sempre se autorregular, tanto pela criação de melhores práticas, quanto pelo controle das associações, e também se adapta às determinações e do governo [que aprovou a Lei Geral de Proteção de Dados pessoais esse ano], para garantir que os dados sejam usados para beneficiar os usuários da internet”.

O uso da internet entre os brasileiros

Segundo dados da pesquisa TIC Domicílios 2017, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, em 2017 havia 42,1 milhões de casas com acesso à internet, o que corresponde a 61% dos lares e 120,7 milhões de brasileiros. Como principais usos para a rede, estão o envio de mensagens (90%) e o acesso às redes sociais (77%).

Os estudos feitos sobre esse tema também indicam que o uso da internet, além de crescente, tende a ser mais intenso: de acordo com o relatório Connected Life 2017/2018, da Kantar TNS, os brasileiros também passam muito mais tempo conectados à internet em relação à média global, sendo 8 horas diárias no país latino, contra 5 horas no resto do mundo. Dentre os entrevistados pelo instituto, 39% ainda reconhecem que ficam muito mais tempo ao celular do que deveriam.



Website: http://tradelab.com/pt/