Como tecnologias que imitam o homem e a natureza podem mudar o mundo?

““A contribuição da inteligência artificial na transformação da sociedade será 3 mil vezes maior do que a revolução industrial””

A tecnologia faz parte da história humana antes mesmo da existência do homo sapiens como o conhecemos. O primeiro registro de que se tem notícia do uso de elementos da natureza para melhorar as condições de vida de nossos ancestrais data de 3,3 milhões de anos atrás. Uma ferramenta primitiva esculpida sobre pedra com o objetivo de funcionar como uma faca foi encontrada no Quênia, no mínimo 3 milhões de anos antes do surgimento dos primeiros representantes de nossa espécie.

Tecnologia, aliás, não é uma exclusividade de nós, homo sapiens. Orangotangos, bonobos e gorilas têm suas próprias ferramentas feitas com galhos e plantas. Chimpanzés já até entraram em sua própria Idade da Pedra, quando esse material passa a ser usado de maneira mais intensiva como insumo para uma gama variada de objetos úteis.

A diferença é que nós, Homo sapiens sapiens - subespécie humana que corresponde ao homem moderno -, estamos significativamente mais avançados no desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias. No século 20 e 21, em especial, os avanços se aceleraram. Fomos ao espaço, identificamos a presença de água líquida em outros planetas, inventamos as vacinas e realizamos procedimentos médicos que prolongam a vida.

Houve, porém, alguns efeitos colaterais: não conseguimos garantir acesso a essas incríveis inovações a todos, o que aumentou a desigualdade, e, para viabilizar estilos de vida cada vez mais confortáveis, exploramos os recursos naturais do planeta de maneira extrema e, muitas vezes, insustentável.

Curiosamente, a solução para esses problemas pode estar na mesma tecnologia que, mal ou bem, nos trouxe até aqui. Hoje, a tecnologia é a força revolucionária por trás de grandes avanços econômicos, sociais e ambientais.

A informatização e seus desdobramentos, em especial, municiam essa força revolucionária. Os computadores, antes desengonçados, complicados e distantes, se parecem cada vez menos com máquinas e ganham características que espelham o comportamento humano. A inteligência artificial e os mecanismos de machine learning (aprendizado de máquina), a vanguarda dessa informatização, buscam identificar padrões de raciocínio e comportamento humano para resolver problemas, muitos deles causados pela própria ação do homem.

E, nesse cenário, surge um caminho para encontrar soluções econômicas, sociais e ambientais inspiradas na reprodução, via novas tecnologias, de processos da natureza: a biomimética. Trata-se de um ferramenta que vem sendo vista, por cada vez mais instituições, como pela peça-chave na construção de um futuro sustentável nesses três planos. Confira como a biomimética vem sendo aplicada nesse contexto.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: EFICIÊNCIA ECONÔMICA X GERAÇÃO DE EMPREGOS
A indústria da inteligência artificial (IA) já é um gigante. De acordo com um relatório produzido pela International Data Corporation (IDC), de 2016 para 2017, o valor conjunto sistemas de inteligência artificial e cognitiva cresceu 59,3% em valor, atingindo US$ 12,5 bilhões. De forma mais ampla, os negócios relacionados a este tipo de tecnologia crescem ainda mais. Um levantamento produzido pela consultoria Gartner informa que entre 2017 e 2018 o aumento foi de 70%, com expectativa de fechar o ano em US$ 1,2 trilhão.

O futuro prevê ainda mais crescimento para o setor. Até 2022, este mercado deve chegar até US$ 3,9 trilhões - mais que o produto interno bruto do Brasil, que fechou 2017 em R$ 6,6 trilhões. E as empresas já veem isso como oportunidade de negócio: 84% das companhias ouvidas em pesquisa da consultoria Statista acreditam que investir em IA trará vantagens competitivas e 75% delas entendem que a IA abrirá novos negócios. Para 63% das empresas entrevistadas, o principal motivo para implementar o uso de IA será a pressão para reduzir custos.

Em um primeiro momento, as soluções de IA aumentam a eficiência na alocação de recursos e no manejo de vagas e empregos. Mas, se, no curto prazo, trocar mão-de-obra humana por máquinas será mais economicamente eficiente, quais os impactos reais na economia e na sociedade em médio e longo prazo? Um relatório produzido pelo McKinsey Global Institute afirma que no futuro entre 75 milhões e 375 milhões de pessoas podem precisar mudar de trabalho e aprender novas habilidades profissionais até 2030.

"A contribuição da inteligência artificial na transformação da sociedade será 3 mil vezes maior do que a revolução industrial", afirma o documento da McKinsey. A análise é de que cerca de 60% das atividades econômicas realizadas hoje por pessoas em todo o mundo poderão ser automatizadas em pelo menos um terço.

Ainda é difícil prever todas as consequências dessa revolução: há estimativas otimistas e estimativas trágicas. Para Caio Calado, chatbot advocate na empresa de tecnologia "Take" e editor da Bots Brasil, a perspectiva é positiva. "Os computadores vêm automatizando tarefas, mas não é sua função substituir pessoas ou roubar trabalhos. A automação tem como finalidade acabar com as atividades repetitivas", explica. "Isso permite que as pessoas foquem em criatividade, resolução de problemas, inteligência emocional e outros problemas literalmente humanos", afirma.

BIOMIMÉTICA: REPRODUZINDO A NATUREZA PARA SALVAR A NATUREZA
A ideia por trás do conceito de biomimética é antiga, mas o termo foi cunhado em 1997 com a publicação do livro "Biomimética: inovação inspirada pela natureza" (Ed. Cultrix, 1997), da bióloga norte-americana Janine Benyus. Há 20 anos, ela vem trabalhando para popularizar a técnica cujo princípio básico é o de buscar inspiração na natureza e nos seus padrões e processos para criar soluções e inovações em produtos, sistemas, estratégias e políticas.

A lógica por trás da biomimética é simples: vivemos em um planeta que funciona bem há mais de 4 bilhões de anos. Se temos, à disposição, uma experiência tão bem sucedida, por que não usá-la como referência para solucionar nossos problemas? Em última instância, por que não imitá-la? "Se conseguirmos evoluir de um modelo linear e mecânico para um de sistemas vivos e circular, teremos a química e as melhores práticas [da natureza] ao nosso alcance", disse Benyus em entrevista ao site Greenbiz.

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